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A elaboração e o desenvolvimento dos modelos dogmáticos é a tarefa primeira da doutrina jurídica. É 'objeto primordial' da dogmática jurídica, escreveu Reale, 'a análise das significações' dos modelos jurídicos, 'de sua linguagem específica, bem como do papel e das funções que os mesmos desempenham como elementos componentes das estruturas normativas fundamentais, integradas, por sua vez, no macromodelo do ordenamento jurídico'. Estudos recentes têm apontado à irrealização desse 'objeto primordial' e, de certo modo, ao descenso da atividade doutrinária como um todo, modificando-se, em consequência, a relação entre o jurista e o direito positivo. Hoje 'já não podemos silenciar com êxito' sobre o fato de a doutrina civilista 'padecer de sérios problemas', observa o civilista espanhol Tomás Rubio Garrido. Fundamentalmente, diz entre nós Humberto Ávila, a doutrina 'cessou de ser seguida porque parou, em parte, de ser necessária à aplicação do Direito e de orientar tanto os operadores quanto os destinatários'. Tal se deve, no diagnóstico de Otávio Luiz Rodrigues Jr., por ter deixado 'de ser uma arte de juristas', o que explica em grande parte «seu desprestígio». Essas considerações suscitam refletir sobre o que «é» a doutrina (com ênfase na doutrina civilista, tradicional fornecedora de modelos hermenêuticos), para o que se torna necessário mencionar 'o que foi', antes de averiguar como realiza - se é que o vem realizando - aquele 'objeto primordial' de formular modelos doutrinários destinados a explicitar, examinar e desenvolver os modelos jurídicos, afinal, a tarefa proposta nessa obra coletiva.