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"Eu nasci num Brasil de fronteira, entre a miséria e a opulência. A miséria sempre foi farta, pois era como a nata coalhada de um leite fresco, ficava sempre mais grossa, mas ao contrário do leite, nunca estava em cima, a miséria sempre ficava embaixo, no assoalho da sociedade, dando solo firme para a desigualdade. Eu nasci no Brasil e no século 20. Eu vi fome, desemprego, falta de oportunidades, dor, doença, choro, desespero. Aos homens de min ha origem, ou classe social, restava pouco lazer. Talvez, afogar a angústia numa rinha de galos. Eu, menino, aos cinco anos, já era um personagem desse tempo. Meus olhos viram luta de galo sim! Meus nervos tremeram na mesma tensão e frequência dos galos índios. Era assim que muitos brasileiros disfarçavam a desventura. E foi por esses cenários que conheci um dia, um guerreiro chamado King, o galo índio. Para mim, um símbolo do instinto de sobrevivência. Eu nasci no Brasil do contraste, da migração, do êxodo, do autoexílio, da traição, do preconceito, dos golpes e da vontade de vencer. Eu ganhei, perdi e ganhei. Mas guardei algo que nunca me tiraram: a esperança e o desejo de luta." Hélio de Oliveira Santos